A implantação do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav) será gradativa, até junho de 2014. O protótipo que embasa o funcionamento do sistema foi desenvolvido a partir dos requisitos técnicos definidos pelo grupo de trabalho interministerial que trata do assunto (GTI-Siniav) e publicados na Resolução 212/06 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que previa um processo de identificação automática baseado na tecnologia de radiofrequência (RFID). As especificações foram atualizadas em agosto pela Resolução 412/12.
“Esse protocolo, que consiste na comunicação entre o chip e a antena, foi pensado para possibilitar outros usos, tanto públicos como privados. O fato de ser um sistema inédito possibilitou a formalização de registro de patente, que está sendo operacionalizada pelo Departamento Nacional de Trânsito, o Denatran”, conta o coordenador de Capacitação Tecnológica, da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec/MCTI), José Antônio Silvério.
O mecanismo funciona por meio da emissão de sinal de um chip de aproximadamente 1 milímetro quadrado, que integra uma pequena placa eletrônica (tag) a ser instalada no para-brisa. O sinal é captado por antenas espalhadas nas cidades e rodovias, possibilitando o controle do tráfego.
Cessão de patente
A propriedade da patente do dispositivo foi cedida pela instituição ao Denatran, que custeou o pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI/MDIC). Segundo o diretor do Centro von Braun, Dario Thober, a doação ocorreu com objetivo de proteger os conceitos do mecanismo, dando oportunidade de produção a qualquer empresa interessada.
“O objetivo foi dar uma chance maior de o sistema ter sucesso industrial, a mesma razão pela qual se investiu no desenvolvimento da tag. Trata-se de uma solução aplicável, que estimula a movimentação do mercado”, explica. Ele acrescenta que o desenvolvimento do sistema faz parte das atividades do centro no âmbito do Programa Nacional de Microeletrônica (PNM Design), do MCTI, que estimula o desenvolvimento do setor de semicondutores.
“Um estudo abrangente e detalhado foi realizado para encontrar a solução de identificação mais segura e barata possível tecnologicamente”, diz. “Verificou-se que apenas a faixa de frequência de 915 mega-hertz permitiria soluções industriais dentro do contexto previamente definido, ainda que com criptografia de alto desempenho embarcada no chip.”
A instalação das tags caberá ao respectivo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) no licenciamento dos veículos ou, no caso dos que serão produzidos a partir de janeiro, ao fabricante. Além de placa e categoria, as informações obrigatórias serão: número de série do chip, espécie e tipo do veículo. O serviço prevê a confidencialidade das informações relacionadas ao proprietário, às quais terão acesso – mediante consentimento – apenas empresas aprovadas e associadas ao Sistema Nacional de Trânsito (SNT).
O executivo destaca que já existem iniciativas em andamento nos moldes do Siniav, a exemplo do sistema de pedágios automáticos de São Paulo.
Múltiplas funções
Além de facilitar o controle do transporte, a plataforma tecnológica com RFID pode ser útil a empresas prestadoras de serviços. “Pode ser empregada para diversas funções, como a abertura das cancelas dos postos de pedágios nas rodovias ou os descontos dos seguros”, exemplifica Silvério, do MCTI. “Uma das principais características desta nova tecnologia é sua capacidade de operar em todo o território nacional, utilizando-se de uma gama de equipamentos fornecidos por diversos fabricantes.”
O sistema de identificação prevê, ainda, uma ferramenta de verificação de autenticidade de produtos e seus documentos, aplicada a toda a cadeia logística, para garantir ao consumidor que as mercadorias adquiridas são originais e transportadas de modo seguro. As secretarias da Fazenda de todos os estados, além da Receita Federal, assinaram um convênio com o ministério para a futura adoção do projeto Brasil-ID, que utilizará a informação eletrônica para automatizar a fiscalização da circulação de produtos no país.
“Nesse projeto, as tags do tipo Siniav podem ser acopladas aos produtos, dando a eles identidade única que evita fraudes e descaminho, e que guarda informações fiscais e de trajeto, pela cadeia de suprimentos até o consumidor final”, destaca Thober, do Centro von Braun.
Fonte:
Nenhum comentário:
Postar um comentário