O contexto desta IG parece um resumo de parte importante da história econômica e cultural do Brasil. A começar pela cerimônia de entrega: realizada na Igreja Matriz São Francisco de Assis, em Monte Belo, o evento contou com autoridades, produtores de vinho e seus parentes (a estrutura é basicamente familiar), muitos deles descendentes de imigrantes que vieram para o País.
Por sinal, os primeiros imigrantes chegaram à região em 1877, iniciando uma tradição de uvas e vinhos que se fortaleceu ao longo destes 136 anos. Porém, as primeiras se destacava mais do que os segundos: a cidade e suas regiões vizinhas avançaram como produtoras da uva para outros locais, mas nem tanto em relação aos seus próprios vinhos.
Ao investir no processamento das uvas e no desenvolvimento dos vinhos de qualidade, os produtores locais seguem a trajetória econômica que privilegia a agregação de valor no produto final. Em vez de vender produtos primários, a aposta em inovação e qualificação, aliada à tradição, abre caminho para a comercialização de bens diferenciados e valorizados, capazes de competir no mercado global. A IG, agora entregue, é o símbolo deste processo.
Para conquistar o mundo, incluir um sabor tipicamente local pode ser uma boa receita. Prova disso são as IGs europeias que se consolidaram ao longo do tempo, tendo o champagne francês como um ícone, mas não o único. No Brasil, essa história é recente, mas alguns exemplos já se destacam, como o também gaúcho Vale dos Vinhedos. Agora, Monte Belo quer escrever uma nova história com a sua IG.
-Aliando inovação e tradição, vocês estão no caminho do desenvolvimento sustentável - afirmou a representante do INPI, a pesquisadora Maria Helena Nunes.
A região da IG Monte Belo possui 56,09 quilômetros quadrados, distribuídos entre Monte Belo do Sul, Santa Tereza e Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. No total, A Aprobelo reúne 11 vinícolas, sendo que a região possui 600 propriedades nesta atividade.
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